'Emboscada planejada': delegado cita 'violência sexual, física e psicológica' em estupro coletivo de menor em Copacabana
- 28/02/2026

Polícia apura estupro coletivo contra adolescente em Copacabana e busca por 4 jovens e 1 menor O delegado Ângelo Lajes, responsável pela investigação do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio, afirmou neste sábado (28) que o crime foi uma “emboscada planejada” e que os envolvidos podem ser condenados a quase 20 anos de prisão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O caso ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. “A gente trata esse caso como uma emboscada planejada. Ela foi levada a erro por esse garoto, esse menor que já tinha um relacionamento anterior com ela. Ela achou que estava indo para lá para ter um encontro romântico com esse adolescente infrator. Só que chegou lá havia mais quatro adultos e aconteceu tudo que aconteceu”, disse o delegado. “Ela sofreu violência sexual, física e psicológica”, completou. Polícia apura estupro coletivo contra adolescente em Copacabana e busca por 4 homens e 1 menor Reprodução TV Globo De acordo com o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), quatro homens foram indiciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. A defesa de João Gabriel nega o crime (veja a íntegra da nota no fim da reportagem). O g1 e a TV Globo tentam contato com a defesa dos outros jovens. A conduta do adolescente foi desmembrada para apuração na Vara da Infância e Juventude. Ele não terá a identidade revelada. Segundo Lajes, a jovem chegou à delegacia logo após o crime com marcas evidentes de agressão. “Ela chegou aqui muito lesionada e isso chamou muita atenção dos investigadores. Ela estava sangrando. No momento que ela chegou aqui nós tentamos fazer a prisão em flagrante dos criminosos. Nós fomos até o local onde o crime tinha acabado de acontecer, mas infelizmente naquele momento a gente não conseguiu efetuar a prisão”, disse. Investigação A polícia tentou cumprir mandados de prisão contra os quatro maiores de idade, mas nenhum deles foi localizado. A conduta do adolescente foi desmembrada para a Vara da Infância e Juventude. Ele não terá a identidade revelada. O delegado afirmou que a investigação reuniu provas técnicas antes da representação pelas prisões. “A gente juntou o laudo do exame de corpo delito, a gente captou as imagens do crime e ela fez o reconhecimento dos autores. Então a gente teve certeza da autoria e da materialidade para exatamente conseguir os mandados de prisão”, explicou o delegado. Polícia apura estupro coletivo contra adolescente em Copacabana e buscas por 4 homens e 1 menor Reprodução Segundo Ângelo Lajes, o crime é qualificado e pode ter aumento de pena. Os suspeitos podem pegar quase 20 anos de prisão. “Eles cometeram o crime de estupro, esse crime de estupro ele é qualificado pelo fato da vítima ser menor de 18 anos e ainda há uma causa de aumento de pena pelo fato do crime ter sido cometido de forma coletiva”. “Eles vão estar sujeitos a uma pena de quase 20 anos de reclusão”, comentou. A investigação foi encaminhada ao Ministério Público. O adolescente responderá a procedimento próprio na Vara da Infância e Juventude. O que disse a vítima Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a adolescente relatou que foi convidada pelo adolescente, que era um colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. Ele teria pedido que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, foi sozinha. Segundo a jovem, ela já havia tido um relacionamento com o rapaz entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então. Ao chegar ao prédio, ela encontrou com o jovem na portaria e subiu ao apartamento. No elevador, o rapaz teria avisado que dois amigos estariam no local e insinuado que fariam “algo diferente”, o que ela diz ter recusado. No apartamento, ela afirmou ter sido levada para um quarto. Enquanto mantinha relação sexual com o jovem, outros três rapazes teriam entrado no cômodo, feito comentários e, segundo o relato, um deles passou a tocá-la sem consentimento. Violência contra mulher: como pedir ajuda A jovem contou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, com a condição de que não a tocassem. No entanto, segundo ela, os jovens teriam tirado a roupa, passado a beijá-la e apalpá-la. A vítima afirmou que foi forçada a praticar sexo oral e que sofreu penetração por parte dos quatro jovens. Disse ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Em determinado momento, ela disse ter tentado sair do quarto, mas, segundo o depoimento, foi impedida. Ela relatou ainda que, ao deixar o apartamento, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso. Imagens do prédio A investigação teve acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio. Os registros mostram a chegada dos jovens ao apartamento e, posteriormente, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor suspeito. As imagens também registram o momento em que a vítima deixa o imóvel e segue em direção ao elevador. Segundo o relatório, após acompanhá-la até a saída do prédio, o jovem retorna ao apartamento e faz gestos que os investigadores descrevem como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao fato. Troca de mensagens Prints de conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor foram incluídos no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As conversas mostram ainda a combinação do encontro na portaria do prédio e os horários em que ela informa que está chegando. Laudo indica relação sexual O laudo de exame de corpo de delito aponta a existência de lesões compatíveis com violência física. Segundo a perícia, foram identificados infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. O exame descreve ainda três grupos de equimoses nas regiões dorsal e glúteas. Testes rápidos também apresentaram resultado positivo. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA. O que dizem os citados A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota: "A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação".
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