Caso Henry Borel: entenda como Monique e Jairinho passaram de aliados a rivais no júri sobre a morte do menino
- 28/05/2026

Justiça do Rio retoma julgamento do caso Henry Borel A disputa entre as defesas de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros se tornou um dos principais elementos do julgamento pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, no Tribunal do Júri do Rio. A ruptura entre as estratégias ficou ainda mais evidente após a Justiça autorizar que Jairinho seja interrogado depois do depoimento de Monique. A defesa do ex-vereador alegou que a mãe de Henry passou a adotar uma narrativa que atribui exclusivamente a ele a responsabilidade pelas agressões e pela morte da criança. Segundo os advogados de Jairinho, ouvir Monique antes permitirá que o réu conheça previamente as acusações feitas pela ex-companheira e possa exercer plenamente o direito de defesa durante o interrogatório. "Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito. Para se defender adequadamente, é necessário conhecer o conteúdo exato da acusação", disse advogado Rodrigo Faucz. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Homicídio qualificado, tortura e outros crimes O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. Jairinho e Monique respondem por homicídio qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte de Henry, ocorrida em março de 2021. Nos últimos dias, depoimentos de testemunhas e especialistas evidenciaram o afastamento entre as teses de defesa dos dois réus, que atualmente apresentam versões incompatíveis entre si. Jairinho e Monique durante o julgamento do caso, em março Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Delegado diz que Jairinho e Monique montaram 'farsa ensaiada' sobre morte de Henry Babá de Henry foi coagida por Monique a mentir e está pronta para 'falar tudo', diz advogada Psiquiatra diz que Jairinho tem 'prazer em infligir dor em crianças' Defesa começou unificada Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução Logo após a morte de Henry, em março de 2021, Jairinho e Monique eram defendidos pelo mesmo grupo de advogados. Naquele momento, os dois adotavam a mesma versão: a de que Henry teria sofrido um acidente doméstico e que a relação familiar era harmoniosa. A estratégia conjunta foi mantida nos primeiros depoimentos prestados à polícia e nos desdobramentos da investigação. As defesas passaram a atuar separadamente após as prisões temporárias do casal, em abril de 2021. Monique deixou a banca compartilhada e passou a ser representada por novos advogados. A partir daí, a linha defensiva dos dois começou a se distanciar gradualmente. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. A estratégia de Jairinho JJairinho durante o julgamento do caso, em março Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ A defesa de Jairinho concentra esforços em três eixos principais: contestação das perícias; tentativa de anulação de provas; e desconstrução da narrativa de violência contínua apresentada pela acusação. Os advogados do ex-vereador sustentam que Henry pode ter morrido em decorrência de uma queda acidental ou até de erros durante as manobras de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or. Nos últimos dias do júri, testemunhas ligadas à acusação rebateram diretamente essa linha. O delegado Edson Henrique Damasceno afirmou ao Conselho de Sentença que a investigação desmontou a versão de acidente doméstico apresentada inicialmente pelo casal. “Tudo era uma farsa ensaiada”, declarou o delegado durante o julgamento. O perito Luiz Carlos Leal Prestes, que ainda deve depor, já afirmou em pareceres e manifestações anexadas ao processo que as lesões identificadas no corpo da criança são incompatíveis com queda da cama. “A multiplicidade dessas lesões fala muito a favor de um espancamento”, afirmou em análise técnica anterior. Além das teses técnicas, a defesa de Jairinho também tenta invalidar provas digitais obtidas pela investigação, alegando falhas na cadeia de custódia dos celulares analisados pela polícia. Outro eixo importante da estratégia é atacar diretamente a credibilidade de Monique. Ao longo do processo, os advogados de Jairinho passaram a descrever a mãe de Henry como uma mulher “ambiciosa”, “manipuladora” e “incapaz de ser dominada”. A defesa também contesta a tese de que ela vivia sob submissão psicológica do ex-vereador. Durante o júri, o psiquiatra Rafael Bernardon — testemunha da acusação — afirmou que Monique “subordina sistematicamente o bem-estar do filho aos seus próprios interesses narcísicos e ambições materiais”. A declaração passou a ser utilizada pela defesa de Jairinho como argumento contrário à alegação de dependência psicológica apresentada por Monique. A estratégia de Monique Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, usava uma camiseta com fotos do filho no julgamento em março Jornal Nacional/ Reprodução Já a defesa de Monique Medeiros segue caminho oposto. Os advogados da mãe de Henry tentam afastá-la da dinâmica das agressões e dizem que ela vivia um relacionamento abusivo, marcado por manipulação psicológica, controle e violência praticados por Jairinho. Segundo essa linha defensiva, Monique não teria participado das agressões nem compreendido plenamente a gravidade da situação envolvendo o filho. Os advogados também afirmam que os primeiros depoimentos prestados por ela foram influenciados pela antiga estratégia conjunta de defesa adotada pelo casal. A tese central é a de que Monique foi vítima de violência psicológica e acabou “não acreditando no próprio filho”. Nos bastidores do processo, a defesa adotou a tese de que Jairinho reproduzia um padrão de violência contra crianças de ex-companheiras. Durante o julgamento, o psiquiatra Rafael Bernardon afirmou identificar um “padrão repetitivo de abuso infantil” atribuído ao ex-vereador “Há um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, disse o especialista. A defesa de Monique também busca reforçar episódios anteriores envolvendo outras ex-companheiras de Jairinho e relatos sobre supostas agressões contra outras crianças. O que a acusação tenta demonstrar Embora as defesas tenham seguido caminhos opostos, o Ministério Público afirma que ambos participaram, de formas diferentes, da dinâmica que levou à morte de Henry. Segundo a acusação, Jairinho praticava agressões contra o menino, e Monique tinha conhecimento das violências, mas se omitiu. Durante o julgamento, o delegado Edson Henrique Damasceno afirmou que mensagens encontradas no celular de Monique revelaram episódios anteriores de agressão e indicavam que ela já desconfiava do comportamento de Jairinho com o filho. O psiquiatra Rafael Bernardon também afirmou que Monique recebeu “múltiplos sinais de alarme” antes da morte da criança. As oitivas seguem no Tribunal do Júri nesta quinta-feira (28) e ainda devem durar vários dias.
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